08 julho 2013

Resenha: Orgulho e Preconceito




Autora: Jane Austen
Editora: Ediouro
Sinopse: Na Inglaterra do final do século XVIII, as possibilidades de ascensão social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de vinte anos, uma das cinco filhas de um espirituoso, mas imprudente senhor, no entanto, é um novo tipo de heroína, que não precisará de estereótipos femininos para conquistar o nobre Fitzwilliam Darcy e defender suas posições com perfeita lucidez de uma filósofa liberal da província. Lizzy é uma espécie de Cinderela esclarecida, iluminista, protofeminista. Neste livro, Jane Austen faz também uma crítica à futilidade das mulheres na voz dessa admirável heroína — recompensada, ao final, com uma felicidade que não lhe parecia possível na classe em que nasceu.







  Apaixonante, crítico e encantador. Estas e mais muitas outras palavras podem descrever este livro. Jane Austen faz uma incrível crítica à sociedade da época, mostrando seus defeitos e conceitos, ao mesmo tempo em que cria um romance onde os personagens evoluem e amadurecem no decorrer da história. Um romance com preconceitos morais e materiais, mas que supera os obstáculos rendendo-se ao amor verdadeiro. Agora posso compreender o sucesso deste livro até os dias de hoje. Os sentimentos expressos nele ainda existem em nós, talvez até mais fortes do que existiam ontem. Falo de orgulho e preconceito, mas também falo de vaidade, amor, rancor, presunção e etc.



  O foco do livro são os personagens. Não é um enredo cheio de conflitos e reviravoltas, a história é simples, com conflito, é claro, mas não é nada demais. O que chama a atenção é a construção dos personagens, suas variadas personalidades, e a facilidade que o leitor tem de ver em cada personagem, personalidades da época, e personalidades atuais. Isto me fez pensar em como o ser humano é engraçado, mesmo tempo se passado mais de um século, alguns aspectos sobreviveram ao tempo, e talvez estejam até piores. Pois no contexto histórico do livro, as pessoas pelo menos tentavam ser educadas, e melhores, digamos assim. Claro que tinha hipocrisia, mas hoje também tem, além de coisinhas piores... Falo mais dos personagens no decorrer da história, vamos ter uma ideia de como é o início? 

  Tudo começa com a chegada do Sr. Bingley a Netherfield. Logo, a Sra. Bennet pensa que ele está a procura de esposa, por ser solteiro. Sendo assim, quer apresentá-lo a suas filhas, pois sua maior preocupação é casá-las. Afinal, a propriedade seria passada para um parente distante após a morte do Sr. Bennet. A Sra. Bennet é uma mulher simples, e acaba falando coisas que são mal vistas por algumas pessoas, se tornando, muitas vezes, "motivo de vergonha para sua família", na frente do Sr. Bingley e amigos, que têm uma condição social melhor. Em alguns momentos ela aparenta futilidade e falta de controle sobre o que fala. E isso é bom para o livro, porque traz grande verossimilhança, inclusive com nossa atual sociedade. Conhecemos mães assim, certo? 


“Um homem solteiro, possuidor de razoável fortuna, deve estar à procura de esposa.
           Por menos que se saiba de suas intenções, quando o solteiro aparece em qualquer lugar,esta verdade está de tal forma enraizada na mentalidade das famílias, que ele passa a ser considerado propriedade legítima das moças da vizinhança" 

  Neste trecho, percebemos a mentalidade da época, a presunção e a força dos costumes. Vendo esta observação hoje em dia, pensamos logo que é errada. Temos que lembrar que isto é do século XIX, então vamos nos fazer uma pergunta: em nossa sociedade atual, que costume é comum, mas daqui a anos será considerado errado? Adoro isto nos romances históricos, a mudança de pensamento, como conseguimos notar o progresso da humanidade. Por isso gostei tanto desta história, adorei as críticas que se enquadram no passado, e as que se enquadram no presente. E os problemas destacados na crítica do passado? Quando irão desaparecer do nosso presente?

  As devidas apresentações são feitas, e passamos a conhecer pouco a pouco, os personagens. O Sr. Bingley vem para Netherfield com duas irmãs, o marido de uma e um amigo, o Sr. Darcy. As irmãs de Bingley se mostram preconceituosas e vaidosas. Criticam bastante a família de Elizabeth, comentando seus modos pelas costas deles. Minha opinião sobre elas é que são personagens que representam aquelas pessoas vazias de conteúdo reflexivo, e que se acham superiores pela sua condição financeira, e sua educação, destratando o próximo, sem se questionar se é certou ou errado, simplesmente por falar. Por apontar "defeitos" nos outros que as desagradam, de modo hipócrita. Ou seja, achei-as falsas.





"O comportamento das moças na festa não agradara a todos. Eram, sem dúvida, jovens distintas, e não lhes faltava bom humor. Chegavam a ser amáveis, quando queriam. Mas eram orgulhosas e cheias de preconceitos."



  Já o Sr. Darcy... É um personagem que considerei complexo. Por quê? Porque ele é cheio de defeitos numa hora, e em outra cheio de qualidades, e em outra você não sabe o que pensar... A princípio, como o título diz, ele é orgulhoso e preconceituoso quase ao extremo. Sabe aquela pessoa que vemos atualmente, que se acha superior e é preconceituosa com quase tudo? Vaidosa, rancorosa... Então... Lhes apresento o Sr. Darcy, com uma pitada de elegância, boa educação e beleza. No decorrer da história percebemos que ele não é tão ruim assim, e que não devemos confiar em tudo o que ouvimos por aí. 







  Eu simplesmente adorei Elizabeth Bennet. Simplesmente perfeita. Esquece isso de protagonista de romance sem sal, baby! Para a época dela, ela sabe dosar doçura, bom humor e alfinetadas muito bem. Para cada situação ela tem uma resposta na ponta da língua, e isso dá a ela um charme incrível. Além de ter uma característica que adoro: ela observa as pessoas, tentando aprender sobre personalidades. Amo isso. Não pensem que estou descrevendo a personagem perfeita, não...Ela tem defeitos, também tem certo orgulho e preconceito, mas a vida a ensina no decorrer da história. 


" - Faço tudo repentinamente - respondeu ele.  -  É exatamente o que eu esperava de sua parte -disse Elizabeth.   - Está começando a compreender-me? Não sabia que a senhorita gostava de estudar a personalidade das pessoas.   - O campo - disse Darcy - não oferece muitos exemplares para esse estudo. Muita limitação, pouca variedade de tipos.   - Mas as próprias pessoas - disse Elizabeth - mudam tanto que há sempre alguma coisa nova para se observar nelas." 


   Suas irmãs representam personalidades variadas. As duas mais novas são fúteis e eu diria que exemplificam uma versão com mais rédeas sociais, de algumas meninas que vemos hoje em dia - creio que no contexto histórico também havia garotas assim, e não sei se foi a intenção da autora, mas acabou, de certa forma, sendo uma crítica sutil a estas personalidades. Elas têm uma loucura pelos militares, e lembram muito a mãe, em alguns aspectos. São impulsivas e acabam se deixando levar, fazendo bobagens de vez em quando, e dizendo muitas bobagens, muitas vezes. Graças a elas, principalmente, a família de Elizabeth fica mal vista pelo pessoal de Netherfield. 

  Diferentemente delas, Mary se mostra inteligente, sendo requisitada algumas vezes, como uma opinião de valor. Apesar de tudo isso, também traz constrangimentos às vezes. E ela adora ler. Infelizmente, ela não é muito "apresentada" ao leitor. Fica quase como uma personagem figurante, pelo menos na edição que li. E Jane, a irmã mais velha e mais bonita de todas, gera interesse no Sr. Bingley. Se mostra doce e adorável ao longo do livro, além de romântica e encantadora.
  
  Outro aspecto interessante e bem conduzido é a vaidade de alguns personagens, principalmente o Sr. Collins, primo de Elizabeth. O futuro herdeiro da casa dos Bennet. Toda hora ele repete que tem a proteção de Lady Catherine de Borg, por orgulho e por vaidade. O tipo de pessoa que chega a ser chata por causa de seus elogios constantes e vaidade incalculável. Como se o mundo girasse ao seu redor e ninguém pudesse lhe dizer não. Seria isso outra crítica? Uma tentativa de mostrar como algumas pessoas parecem aos olhos alheios?

  Uma de minhas reflexões sobre o livro foi o fato de reparar como nossa imagem é importante aos olhos de quem amamos, a ponto de algumas vezes, passarmos a ver o mundo como nossos amados, em alguns aspectos. Quase como de tanto pensar na pessoa, acabamos pegando um lado dela, bom ou ruim, e nos preocupando, sabendo que a pessoa reprovaria tal atitude nossa. Outra reflexão foi sobre os casamentos por conveniência, ao ver uma personagem casar-se pois foi o melhor para ela e para a situação momentânea, sem se preocupar com o amor, nem com sua felicidade. É um debate interessante. O que é melhor? Ir pela conveniência ou ir atrás da felicidade? Mudar ou deixar a maré te levar?

  Em resumo geral, devo dizer que cada personagem é incrível, e que o romance é gostoso de se ler. Quando digo romance, quero dizer pelo lado romântico mesmo. O romance central é encantador, eles são tão fofos você consegue sentir como é difícil para eles romper com o orgulho e se entregar ao amor, ao mesmo tempo em que sente a força do desejo, oculto ou não, disfarçado e orgulhoso, o desejo ainda está lá. e é fascinante do mesmo jeito. E que ao final desta história, percebemos como o amor combate o orgulho e o egoísmo, fazendo-nos amadurecer e despertar para a vida. Claro, falo do amor verdadeiro, não das paixões bobas. Como é engraçado, que percebemos mil vezes mais defeitos alheios, que os nossos próprios. Como apontamos para o outro para acusá-lo de agir erradamente, mas não repensamos nossas atitudes, se estamos sendo corretos ou não, procedendo de determinada forma. A leitura é ótima, e claro, leva cinco estrelas. É um livro que diverte, que entretém, que acaba dando colheres de chá pelo seu contexto histórico, que te faz refletir e que te ensina. Vale a pena.




 Obs: Li uma edição tão antiga... De capa dura, da Edições de Ouro. Tem registros dele, dos anos 70! Adorei! haha. Pelo que eu disse aqui na resenha, da minha edição para a de vocês tem muitas diferenças?









 O filme






    Fiel. Gostei e achei o filme bem fiel ao livro, claro que não pode ser idêntico e colocar tudo o que acontece no livro, mas comparando com o que temos hoje em dia, achei o filme bem adaptado. Por exemplo, tem falas que identifiquei como iguais às do livro. Achei isso muito legal. Penso que vendo o filme, senti mais o lado romântico que lendo o livro. No livro, percebi mais esta parte da crítica, do humor da Elizabeth... O romance no livro aparece mais para o final, a parte realmente mais "quase melosa". No filme não, foi mais fácil perceber o romance ao longo da história.

  Outro aspecto é que imaginava a Elizabeth mais reservada, sabe? Bem humorada e irônica, mas ficando mais quieta, mais na dela. No filme ela é mais "livre", do que imaginei. Mas eu gostei. Seríamos boas amigas, e ficaríamos avaliando as personalidades das pessoas... haha (não liguem para meu surto momentâneo). Enfim, adorei, achei a interpretação deles boa, e eu imaginava, não sei por que, o Sr. Bennet mais novo.... Enfim. Ah sim, não posso esquecer, o ator que interpretou o Collins foi perfeito, conseguiu representar toda a chatice dele. 
  Os cenários do filme ficaram lindos, também. Que vontade que deu de entrar ali para ver como é! As cenas foram bem montadas, e o figurino também ficou demais. Adorei. Recomendo o filme, depois do livro. Pode dar uma olhada no trailer:











Resenha feita por mim como postadora no blog Flor de Lis.


  E vocês? Já leram ou viram o filme? Pretendem ler? O que acharam? Podem dizer, comentem à vontade.






  Beijos açucarados.




8 comentários:

  1. Oi. Também achei o filme fiel ao livro.
    Fiquei sem ar lendo sua resenha incrível. Amo esse livro e me encantei com suas palavras. Parabéns.
    Beijos

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  2. Amo demais esse livro, é de longe um dos meus preferidos, o filme tb já assisti trezentas vezes meu marido me zoa muito por isso kkkkk
    Bjos

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  3. Entããão...eu devo ser uma das únicas pessoas no mundo que não tem paciência nem com esse livro nem com o filme né??
    ><'
    HAUHUHAA
    BJoos
    http://chacombolacha.blogspot.com.br/

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  4. Oi.
    Já peguei o livro mas tive que parar,mas prometo que continuarei.
    Acho que para ficar melhor para mim vou ver o filme primeiro antes de terminar o livro que inicialmente achei uma "graça" ^^
    ótima resenha,menina você tem um super dom rsr.
    Tem um Tag para você depois da uma olhada:http://de-tudo-e-um-pouco.blogspot.com.br/2013/07/tag-name-game-book-tag.html

    bjus e ótima semana!
    Tamires C.

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  5. Jane Austen foi equiparada a Shakespeare.
    Mark Darcy é encantador, e não perdeu seu charme nos dias de hoje.
    Foi o personagem inspirador da Bridget Jones, o diário.
    Sua resenha está bem detalhada. Parabéns.

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